

Existe uma estatística que poucos conhecem.
Até 20% das pessoas com rosácea não sabem que têm rosácea.
Não por negligência. Mas porque a doença muitas vezes se apresenta de uma forma diferente do que esperamos.
Veja o post que publiquei no Instagram, sobre esse assunto:
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Quando se fala em rosácea, a maioria das pessoas visualiza a mesma coisa: vermelhidão facial. Aquela que aparece com calor, álcool, sol ou estresse.
Essa associação não está errada. Mas está incompleta.
A rosácea é uma condição inflamatória crônica com manifestações diversas. Reduzir seu diagnóstico a um único sinal é o caminho mais direto para o subdiagnóstico e, consequentemente, para o tratamento inadequado.
O primeiro deles é a textura da pele .
Pele áspera, irregular, que nunca responde completamente à hidratação. Uma sensação persistente de superfície rugosa, mesmo com rotina de cuidados adequada.
Na dermatoscopia, é comum observar maior presença de Demodex em peles com rosácea. Isso reflete uma alteração do microbioma cutâneo e exige abordagem específica, diferente de qualquer protocolo de hidratação convencional.
Pele áspera pode ser rosácea. Especialmente quando acompanhada de outros sinais clínicos.
O segundo ponto é ainda menos discutido.
Rosácea não é apenas uma doença da pele.
Até 50% dos pacientes podem apresentar rosácea ocular. Os sintomas variam de olho seco e ardência até vasinhos nas pálpebras, descamação nos cílios e inflamação das glândulas oculares.
Muitos pacientes carregam esse quadro por anos sem nunca associá-lo à rosácea.
O terceiro aspecto amplia ainda mais o olhar clínico.
Existe uma associação descrita entre rosácea e alterações intestinais, síndrome do intestino irritável, infecção por H. pylori, doença celíaca e doenças inflamatórias intestinais. A natureza exata dessa relação ainda está sendo investigada.
Não sabemos se é causal ou apenas associativa. Mas ela reforça algo fundamental: rosácea não deveria ser tratada de forma superficial.
Tratar rosácea não é apenas reduzir a vermelhidão visível.
É compreender a barreira cutânea, o microbioma, os mecanismos inflamatórios envolvidos e, muitas vezes, o contexto sistêmico do paciente.
Cada caso exige leitura clínica individualizada. Não existe protocolo universal para uma doença que se manifesta de formas tão diferentes em cada pessoa.
O maior erro de quem tem rosácea é acreditar que a reconheceria facilmente.
A rosácea frequentemente não é óbvia. E é justamente por isso que o diagnóstico criterioso, baseado em sinais clínicos, dermatoscopia e avaliação global do paciente, faz toda a diferença.