
“Nove em cada dez dermatologistas vão dizer para você não tratar o melasma no verão.”
Essa frase é comum, e perigosa quando repetida sem contexto.
O problema não está em respeitar os limites da pele nessa época do ano, mas em interpretar o verão como uma fase neutra, em que abandonar completamente o cuidado não teria consequências. A ciência atual mostra exatamente o contrário.
Entender o que é o melasma hoje muda completamente a forma de conduzir o tratamento, inclusive durante o verão.
Assista aqui o vídeo que publiquei no Instagram sobre esse assunto:
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Durante muito tempo, o melasma foi tratado como excesso de pigmento. Hoje sabemos que ele é uma condição complexa, que pode envolver alterações na epiderme, na membrana basal e na derme.
É comum encontrarmos maior vascularização, dano solar acumulado, influência hormonal e impacto da luz visível. Esse conjunto cria um ambiente que favorece, ao longo do tempo, a deposição do pigmento em camadas mais profundas da pele, tornando o melasma cada vez mais persistente e difícil de controlar.
Por isso, interromper completamente o cuidado no verão não é uma decisão neutra. Pode significar permitir que o melasma se torne mais resistente no futuro.
Se você quer entender melhor sobre a complexidade do melasma, recomendo que clique aqui e leia esse outro post aqui do blog, onde eu explico isso em detalhes.
Tratar melasma no verão não significa tentar resolver, em poucos meses, um quadro que se desenvolveu ao longo de anos. Essa abordagem agressiva, inclusive, já se mostrou inadequada para a maioria das pacientes.
O objetivo dessa fase é claro: evitar a piora.
Isso exige estratégia, constância e critério clínico. O foco principal deve ser a fotoproteção correta, feita em quantidade adequada — dois dedos inteiros de protetor solar para o rosto e, obrigatoriamente, com cor, para proteger também da luz visível.
Outro ponto essencial é considerar a sudorese mais intensa. O suor reduz o tempo de ação do protetor, o que torna fundamental optar por fórmulas mais resistentes à água durante o verão.
A fotoproteção é a base do tratamento do melasma no verão, mas isso não significa que todo o restante esteja proibido.
Tratamentos que visam melhorar a qualidade da pele, como ácidos e clareadores bem adaptados, podem ser mantidos, desde que não estejam causando irritação. O que não se recomenda é iniciar tratamentos novos nessa época.
Se a paciente já está com um tratamento ajustado e mantém uma fotoproteção adequada, não há motivo para suspender tudo.
Hoje sabemos que o melasma não deve ser tratado de forma agressiva. O controle duradouro vem de uma condução inteligente, contínua e personalizada, inclusive no verão.
Melasma não se controla com extremos. Nem com abandono, nem com agressividade.
O verão exige ajustes, não desistência. Quando o cuidado é conduzido com ciência, propósito e critério, é possível atravessar essa fase sem permitir que o melasma piore.
Controle de melasma é estratégia ao longo do tempo. E isso começa com informação correta.