
Existe uma ideia silenciosa que acompanha muitos jovens brilhantes: a de que sucesso é acumular títulos, reconhecimento e validação externa.
Durante muito tempo, eu também pensei assim.
Hoje, ao concluir meu doutorado depois de 17 anos de vínculo acadêmico com instituições públicas federais, percebo algo que talvez a Fabiana de 17 anos não conseguiria entender.
O mais importante dessa trajetória não foi o currículo que construí. Foi quem eu me tornei enquanto o construía.
Veja aqui o conteúdo que publiquei no Instagram sobre como o tempo também muda a forma como entendemos sucesso, identidade e realização.
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Quando fui aprovada em medicina na UFRGS, aos 17 anos, existia muito ego envolvido.
O ego de quem entra em um dos vestibulares mais difíceis do Sul do país.
O ego de quem queria ser reconhecida pela inteligência.
Eu tinha metas muito claras: ser professora, concluir um doutorado antes dos 30 anos, construir uma trajetória acadêmica admirável.
Naquele momento, eu acreditava que o sucesso estaria justamente aí.
Nos títulos. No reconhecimento. Na validação intelectual. E talvez isso faça parte da juventude: a necessidade de provar valor o tempo inteiro.
Na minha trajetória acadêmica, que hoje finaliza com a defesa do Doutorado, foram 17 anos de vínculo com uma universidade federal:
6 anos de medicina na UFRGS
3 anos de residência em dermatologia no Hospital de Clínicas de Porto Alegre
2 anos de mestrado na UFCSPA
5 anos e meio de doutorado na UFCSPA
Para mim, a maior beleza dessa minha finalização de término de vínculo acadêmico com alguma instituição pública federal depois de 17 anos é perceber que o tempo muda perspectivas.
Entre aquela menina e a mulher que hoje conclui o doutorado, houve muito mais do que formação acadêmica.
Houve uma pandemia
Uma enchente
A construção de uma carreira
De um consultório
De uma família
O nascimento da minha filha
A compra do meu primeiro apartamento
E, principalmente, houve uma transformação silenciosa na forma como eu enxergo a vida.
Hoje, percebo que maturidade não é deixar de ser ambiciosa. É entender que existir com coerência vale mais do que impressionar.
A Fabiana de hoje não sente mais a mesma necessidade de provar inteligência ou buscar reconhecimento constante.
Ela prefere ser:
Ser excelente no que faz
Ser consciente
Ser consistente
Ser presente para os pacientes, para a família e para a própria vida
Existe algo curioso sobre o amadurecimento: às vezes, a vida não realiza exatamente os sonhos da nossa versão mais jovem.
Ela constrói algo maior do que eles.
Ao terminar esse ciclo acadêmico, percebo que não me transformei na mulher que imaginei aos 17 anos. Me transformei em alguém muito mais inteira.
E talvez essa seja a parte mais bonita do tempo. Ele não apenas acrescenta experiência. Ele reorganiza prioridades.
Hoje, olhando para trás, entendo que eu achei que estava construindo um currículo.
Mas, na verdade, estava construindo identidade, presença, consistência e clareza sobre quem eu gostaria de ser ao longo da vida.
Porque, no fim, os títulos importam.
Mas a pessoa que você se torna enquanto conquista cada um deles importa muito mais.