Queda de cabelo com o uso de Mounjaro e Ozempic não é normal.

O doutorado não me deu só um título, mas me ensinou algo muito maior
25 de maio de 2026

A queda de cabelo com Mounjaro e Ozempic se tornou uma das queixas mais frequentes entre pacientes que utilizam esses medicamentos (da classe dos agonistas do receptor de GLP-1).

E justamente por ser algo frequentemente relatado, existe uma tendência crescente de normalizar esse sintoma. Mas há uma diferença importante entre algo ser comum e algo ser fisiológico.

Na medicina, a prevalência de um sintoma não elimina a necessidade de investigação. Pelo contrário. Muitas vezes, ela apenas revela um fenômeno que merece ser melhor compreendido.

Quando falamos sobre queda de cabelo durante o emagrecimento, a pergunta mais importante não é quantas pessoas apresentam esse sintoma. A pergunta correta é: o que esse sintoma está tentando comunicar?

Veja aqui o conteúdo que publiquei no Instagram sobre esse assunto:

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Por que a queda de cabelo com Mounjaro e Ozempic não deve ser considerada normal?

A queda de cabelo não é uma consequência direta do medicamento atuando sobre o folículo piloso.

Na maioria dos casos, ela representa uma resposta do organismo às alterações metabólicas provocadas pelo processo de emagrecimento intenso e rápido.

O folículo é uma estrutura extremamente sensível. Ele responde rapidamente a mudanças nutricionais, hormonais e energéticas.

Quando ocorre uma perda de peso acelerada, o organismo pode interpretar essa situação como um evento de estresse biológico.

Como consequência, parte dos fios interrompe precocemente sua fase de crescimento e entra antecipadamente na fase de repouso.

Meses depois (em geral 1 a 3 meses), ocorre a queda dos fios. Esse fenômeno recebe o nome de eflúvio telógeno.

O que os estudos mostram sobre a queda de cabelo em usuários de Mounjaro e Ozempic?

Uma análise transversal publicada em 2026 demonstrou que 76% dos usuários de agonistas do receptor de GLP-1 relataram queda de
cabelo ativa.

O estudo também observou que 38,8% dos pacientes iniciaram o eflúvio entre o primeiro e o terceiro mês após o início do tratamento.

Esse período coincide justamente com a fase de maior restrição calórica e perda ponderal mais intensa e o intervalo entre a entrada na fase telogena e o desprendimento do fio.

Os dados demonstram que o fenômeno é frequente, mas não justificam tratá-lo como algo irrelevante.

Por que a queda de cabelo é mais frequente com Mounjaro?

Os estudos mostram que pacientes em uso de tirzepatida apresentam risco significativamente maior de relatar perda capilar.

Isso parece estar relacionado ao potencial superior de perda de peso observado com a medicação.

Quanto maior a velocidade do emagrecimento, maior tende a ser o impacto metabólico sobre estruturas altamente sensíveis, como o folículo piloso.

Nesse contexto, a queda capilar funciona como um marcador indireto da intensidade das mudanças que o organismo está enfrentando.

Como o emagrecimento rápido interfere no ciclo capilar

O cabelo possui um ciclo biológico rigorosamente regulado.

Em condições normais, a maior parte dos fios permanece na fase de crescimento por anos.

No entanto, perdas ponderais aceleradas podem alterar essa dinâmica.

Quando o organismo entra em um estado de adaptação metabólica intensa, ele passa a priorizar funções consideradas essenciais para a sobrevivência.

O crescimento capilar deixa de ser uma prioridade biológica. Como consequência, ocorre uma parada no crescimento dos fios e uma entrada precoce para a fase telógena, alguns meses após, culminando na queda.

Relação entre proteínas, vitaminas e queda de cabelo

O problema não envolve apenas calorias, pois a qualidade nutricional do emagrecimento também é determinante.

Dietas com ingestão proteica insuficiente favorecem perda de massa magra e aumentam o risco de interrupção do ciclo folicular.

Além disso, deficiências de nutrientes como ferro, vitamina B12 e vitamina D podem contribuir para o agravamento do quadro.

Por isso, a avaliação da queda de cabelo precisa considerar o estado metabólico global do paciente.

Quando a queda de cabelo pode indicar outro problema?

Nem toda queda observada durante o emagrecimento corresponde apenas a um eflúvio telógeno.

Em algumas pacientes, esse processo funciona como um gatilho para revelar doenças capilares pré-existentes.

A alopecia androgenética feminina é um exemplo frequente, porque, nesses casos, a perda acelerada de fios pode intensificar um processo que já estava em curso, acelerando a rarefação capilar e tornando a recuperação mais difícil ao longo do tempo.

Como reduzir o risco de queda de cabelo devido ao emagrecimento

O objetivo não é impedir o emagrecimento, mas garantir que ele aconteça de forma metabolicamente adequada.

Isso envolve:

  • Preservação da massa magra
  • Aporte proteico adequado
  • Monitoramento nutricional
  • Correção de deficiências vitamínicas quando presentes
  • Acompanhamento médico individualizado

Quanto mais estruturado for o processo, menor tende a ser o impacto sobre o ciclo capilar.

A queda de cabelo com Mounjaro e Ozempic não deve ser interpretada apenas como um evento adverso passageiro, pois ela pode indicar um sinal biológico importante.

Em medicina, nem sempre o mais relevante é observar o sintoma. O mais importante é compreender o que está por trás dele.

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