Síndrome dos Ovários Policísticos receceu o nome errado por anos (e como isso pode ter atrasado diagnósticos)

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2 de junho de 2026
síndrome ovários policísticos

Durante muitos anos, a Síndrome dos Ovários Policísticos foi interpretada como uma condição limitada aos ovário.

Mas a ciência vem mostrando que essa é uma visão simplificada demais para uma desordem muito mais complexa.

Acne resistente, oleosidade excessiva, afinamento capilar progressivo e irregularidade menstrual costumam ser tratados como problemas independentes. Em muitas mulheres, porém, esses sinais representam manifestações de uma alteração hormonal e metabólica sistêmica.

Talvez o problema comece justamente pelo nome.

Quando damos nome a uma doença, também definimos a forma como passamos a enxergá-la. E, neste caso, a nomenclatura acabou direcionando a atenção para um órgão, quando o problema envolve múltiplos sistemas do organismo.

Por isso, cada vez mais especialistas vinham questionando se a Síndrome dos Ovários Policísticos realmente deveria continuar sendo chamada assim.

Veja aqui o conteúdo que publiquei no Instagram, onde explico por que o nome antigo pode ter atrasado inúmeros diagnósticos.

 

A Síndrome dos Ovários Policísticos não é apenas uma doença dos ovários

Estima-se que até 70% das mulheres com a condição enfrentem algum grau de atraso no diagnóstico.

Parte dessa dificuldade acontece porque o nome da síndrome induz a uma interpretação incompleta do problema.

Atualmente, o diagnóstico é realizado pelos Critérios de Rotterdam, que exigem a presença de pelo menos dois dos seguintes critérios:

  • Disfunção ovulatória (ciclos menstruais irregulares)
  • Morfologia ovariana característica ao ultrassom
  • Hiperandrogenismo, que pode se manifestar através de acne resistente, queda de cabelo e aumento de pelos

Isso significa que uma mulher pode ter a síndrome mesmo sem apresentar cistos nos ovários.

Da mesma forma, duas pacientes podem receber o mesmo diagnóstico apresentando manifestações completamente diferentes.

Essa variabilidade explica por que a síndrome é atualmente dividida em diferentes fenótipos clínicos e subtipos biológicos.

O papel da resistência à insulina na Síndrome dos Ovários Policísticos

Se existe um mecanismo central capaz de conectar grande parte dos sintomas da síndrome, esse mecanismo é a resistência à insulina.

Hoje sabemos que ela está presente em aproximadamente 85% das pacientes.

E um dado importante costuma surpreender muitas mulheres: a resistência à insulina também pode ocorrer em pacientes magras, acometendo até 75% das mulheres com índice de massa corporal considerado normal.

Esse processo metabólico influencia diretamente a produção de androgênios, contribuindo para manifestações como:

  • Acne resistente
  • Oleosidade excessiva
  • Alopecia androgenética
  • Alterações ovulatórias associadas ou não a infertilidade
  • ⁠Alterações metabólicas com maior risco de sobrepeso e obesidade assim como aumento de risco cardiovascular

Por isso, o tratamento da resistência à insulina frequentemente se torna um dos pilares para a melhora global dos sintomas.

Por que especialistas propuseram substituir o termo SOP por PMOS?

Nos últimos anos, ganhou força a proposta de substituir o termo SOP por PMOS (Síndrome Metabólica Endócrina de Origem Policística).

A mudança busca corrigir uma limitação importante da nomenclatura atual.

O termo “ovários policísticos” coloca o foco em uma característica anatômica que nem sempre está presente e que não representa o principal mecanismo da doença.

A nova nomenclatura procura refletir melhor sua natureza sistêmica:

P — Poliendócrina: envolve múltiplos eixos hormonais.
M — Metabólica: reconhece o papel central da resistência à insulina.
OS — Origem Policística: mantém a relação com a função ovariana sem reduzir a síndrome apenas aos ovários.

Mais do que uma mudança de nome, a proposta representa uma mudança de perspectiva.

A pele frequentemente é o um dos lugar onde essa condição se manifesta.
Mas raramente é o único.

Quando uma paciente apresenta acne resistente, oleosidade excessiva ou queda de cabelo progressiva, o objetivo não deve ser apenas controlar os sintomas visíveis com tratamentos diferecionados a pele.

Porque, muitas vezes, aquilo que parece um problema de pele é apenas a manifestação mais evidente de uma alteração metabólica muito mais complexa.

E entender essa diferença pode ser o primeiro passo para um diagnóstico mais precoce e um tratamento mais eficaz.

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