Eu não prescrevo protetor solar (pelo menos não do jeito que você compra na farmácia)

Zendaya e definição contorno rosto

Definir o contorno facial significa, obrigatoriamente, preencher?

10 de setembro de 2026
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Quando alguém me pergunta qual protetor solar eu prescrevo, a resposta não começa pela textura mais agradável, pelo acabamento mais bonito ou pelo produto que está fazendo sucesso naquele momento.

Essas características importam para a adesão. Afinal, um protetor que você detesta usar provavelmente ficará esquecido na gaveta. Mas, quando existe uma doença de pele fotossensível, como o melasma, a escolha precisa responder primeiro a uma necessidade clínica.

Existe uma diferença entre usar protetor solar pensando em prevenção do fotoenvelhecimento e utilizar a fotoproteção como parte do tratamento de uma alteração de pigmentação.

E é justamente aí que escolher apenas pelo FPS pode ser insuficiente.

Veja o conteúdo que publiquei no Instagram sobre isso:

No tratamento de manchas, o FPS conta apenas uma parte da história

O FPS está relacionado principalmente à proteção contra a radiação UVB. Para pacientes com melasma, acne com hiperpigmentação pós-inflamatória e outras alterações pigmentares, também precisamos prestar bastante atenção à proteção UVA.

Em estudos científicos, para controlar dermatoses associadas à pigmentação, o recomendado é o uma proteção UVA alta, com PPD de pelo menos 20.
A dificuldade é que essa informação nem sempre está tão evidente para quem está escolhendo um produto na farmácia.

Pela legislação brasileira, a proteção UVA deve corresponder a pelo menos um terço do FPS declarado. Por isso, quando busco um PPD mínimo de 20, parto de fórmulas com FPS 60 ou superior, ou que tenham essa informação disponibilizada.

Isso ajuda a entender por que dois protetores que parecem semelhantes na prateleira podem não atender da mesma maneira às necessidades de uma pele em tratamento.

A luz visível também entra nessa escolha

Existe ainda outra questão importante para quem trata pigmentação: a luz visível.

Ela também pode estimular a melanogênese, inclusive por mecanismos relacionados à Opsina 3 nos melanócitos. Nesse contexto, os pigmentos presentes nos protetores com cor, especialmente os óxidos de ferro, têm uma função que vai além da maquiagem.

Mas há uma dificuldade: diferentemente do FPS e do PPD, não existe atualmente um fator de proteção para luz visível, ou VL-PF, universalmente padronizado e regulamentado que permita simplesmente olhar um número na embalagem e comparar produtos.

Por isso, dizer apenas que um protetor “tem cor” também não resolve a questão.

A opacidade física e a densidade de pigmentos da fórmula importam. Um produto muito fluido, translúcido ou com cobertura extremamente suave pode ser agradável e bonito na pele, mas não necessariamente oferecer a barreira que buscamos para uma paciente com determinada necessidade de controle da pigmentação.

É mais um motivo pelo qual a escolha precisa ser individualizada.

A melhor fórmula também depende da maneira como você usa

E existe uma etapa que frequentemente recebe menos atenção do que deveria: a quantidade aplicada.

O fator de proteção que vemos na embalagem é determinado a partir de uma densidade específica de aplicação. Se você usa uma camada muito fina, a proteção obtida na vida real não será equivalente àquela indicada no rótulo.

É por isso que costumo mostrar a referência dos dois dedos para aplicação no rosto.

Também precisamos conversar sobre reaplicação, rotina, exposição e sobre como encaixar aquele produto na vida da paciente. Não adianta escolher tecnicamente uma excelente fórmula se ela não consegue utilizá-la da maneira necessária.

Amostras podem ser muito úteis justamente para avaliar textura, tonalidade e adaptação antes da compra. Mas prescrever fotoproteção não deveria significar simplesmente entregar algumas “amostrinhas de gaveta” e deixar a paciente escolher a mais agradável.

Quando uma paciente está tratando melasma ou outra alteração de pigmentação, eu não penso no protetor solar apenas como um cosmético que evita que o rosto fique brilhando.

Ele faz parte do tratamento.

Por isso, considero proteção UVB, proteção UVA, pigmentação e opacidade da fórmula, tom de pele, necessidade clínica e, tão importante quanto tudo isso, a maneira como aquele protetor será utilizado.

Se você trata manchas há algum tempo e percebe pouca evolução, talvez valha revisar não apenas o clareador ou o procedimento realizado.

O produto que você usa todos os dias e a forma como você o aplica também fazem parte desse resultado.

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