O meu rosto não é um laboratório de tendências (e o seu não precisa ser também)

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Na dermatologia, existe uma mensagem que nem sempre é dita em voz alta, mas que é transmitida todos os dias, mas ela não está apenas no que o médico fala.

Está, principalmente, no que ele faz.

Quando um profissional realiza procedimentos apenas porque surgiu um novo produto, porque havia um horário livre na agenda ou porque recebeu um convite para testar uma tecnologia, ele comunica algo muito maior do que imagina.

Comunica que sempre existe algo para corrigir. E essa talvez seja uma das ideias mais prejudiciais que podem ser transmitidas aos pacientes.

Veja aqui o vídeo que publiquei no Instagram sobre esse assunto:

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Procedimento estético exige planejamento, não oportunidade

Na semana passada, fiz os meus procedimentos do ano.

Foram intervenções pontuais, planejadas de acordo com a minha idade, com as mudanças que vivi após uma gestação e com os objetivos que estabeleci para este momento da minha vida.

Depois de engordar aproximadamente 18 kg durante a gravidez, e emagrecer novamente, apesar dos cuidados para que fosse um processo lento, com atenção para a alimentação e a perda de massa magra, meu corpo e minha pele mudaram. A flacidez no rosto apareceu.

Por isso, pelo segundo ano consecutivo, optei por um bioestimulador de colágeno e apenas 1 ml de preenchedor. A toxina botulínica, como de costume, faz parte da minha rotina duas vezes ao ano.

Não porque apareceu uma novidade. Mas porque existe uma indicação. E, mais do que isso, planejamento do envelhecimento.

O exemplo do médico também faz parte do tratamento

Quem acompanha o mercado da estética sabe que existe uma cultura de intervenções constantes.

Muitas vezes, profissionais realizam procedimentos sucessivos em si mesmos para testar produtos, aproveitar oportunidades ou simplesmente experimentar novas técnicas.

O problema não é ter acesso a esses recursos.

O problema é a mensagem que isso transmite.

Quando o próprio médico demonstra que o rosto está sempre “precisando” de algo novo, cria-se a impressão de que envelhecer é uma sequência infinita de correções.

Na prática, isso alimenta uma sensação permanente de inadequação.

Saber quando não tratar também faz parte da boa dermatologia

Existe uma diferença importante entre acompanhar a evolução da medicina e seguir tendências.

Na dermatologia, tão importante quanto indicar um procedimento é saber quando ele não é necessário.

Não existe uma lista de tratamentos que toda pessoa precise fazer.

Existe uma avaliação individual, baseada na anatomia, na idade, no estilo de vida, nas expectativas e, principalmente, na necessidade real de cada paciente.

O rosto não deve ser tratado como um espaço para testar novidades. Ele merece planejamento, critério e respeito.

Vivemos um momento em que novas tecnologias surgem o tempo todo. Isso é positivo, mas inovação só faz sentido quando existe indicação.

Se você sente que entrou em uma corrida interminável por procedimentos e novidades, talvez valha a pena fazer uma pausa e se perguntar: esse tratamento faz sentido para mim ou estou apenas acompanhando o que está em alta?

Na maioria das vezes, essa resposta muda completamente a forma como enxergamos o envelhecimento.

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